Durante os anos 90 começaram a se popularizar os PCs baseados no padrão IBM em relação aos computadores com outros padrões que utilizavam processadores Z-80 e similares. Com a popularização dos aplicativos para o MS-DOS disponível somente nos computadores compatíveis como o IBM-PC, os demais padrões começaram a desaparecer do mercado, fazendo com que o padrão IBM se tornasse onipresente nos lares e empresas.
Com a abertura do mercado diversas empresas nacionais iniciaram a produção de computadores, muitas migrando de outros ramos do mercado como, por exemplo, a Metron que saiu da fabricação de taxímetros para a fabricação de PCs. A Itautec, Procomp, Prológica, STi e diversas outras começaram a ofertar seus produtos no mercado de forma mais abrangente. Além das tradicionais IBM, Compaq (líder mundial à época), HP e Acer.
Mas apesar da oferta um PC não era algo barato. Claro que existiam versões mais em conta como computadores sem o famoso “kit multimídia” e com processadores já ultrapassados como os 486 e 586 (da AMD e Cyrix).
Durante a primeira metade da década de 90 os computadores mais populares eram os equipados com processadores 386 e 486. Ainda sem drives de CD e placas de som. Os monitores eram CRT, já não mais padrão MDA de fósforo verde ou azul, mas padrão VGA. Existiam alguns modelos monocromáticos, mas a maior parte eram em cores ficando as cores restritas a capacidade da placa de vídeo.
As placas de vídeo na sua maioria utilizavam o barramento ISA 16 bits e possuíam 512KB de memória o suficiente para executar o DOS e Windows versão 3.1 os mais comuns nesta época. O co-processador matemático era um item a parte para os 386 e 486SX que poderia ser instalado num soquete específico na placa mãe, quase não usado, pois este custava caro demais para ser instalado em um micro comum.
Os discos rígidos já utilizam o padrão IDE, mas a sua controladora (chip I/O que controla o funcionamento do disco visto à controladora IDE ser integrada ao disco) ainda não era integrada a placa mãe, era utilizada uma placa extra onde eram conectados os discos rígidos, unidade de disquete e as portas paralelas e seriais, essa placa era conhecida como super IDE.
Nesta época ainda não existia o plug and play, todas as configurações deveriam ser feitas a mão, na BIOS e via jumpers na própria placa. Configurar uma destas placas super IDE sem o manual era complicado, pois não bastava ligar o disco na placa, era necessário configurar o DMA, IRQ e I/O manualmente do disco rígido, porta paralela e serial.
Ainda na BIOS uma das principais etapas de configuração era a quantidade de cabeças, cilindros e setores do disco rígido C/H/S, pois caso esta configuração não estivesse correta ou o disco era identificado de forma errada ou não seria reconhecido.
Dentro do sistema operativo era necessária a configuração manual de todos dispositivos de hardware diferentes do padrão, ou seja, placas de som, modems, drives de cd e qualquer outro dispositivo deveriam ser configurados manualmente seja no DOS ou no Windows, caso contrário seria ignorado pelo sistema ou pior, poderia gerar um conflito impedindo que o sistema inicializasse.
A memória já poderia ser expandida ou trocada mais facilmente através dos módulos SIMM de 30 vias que deveriam ser utilizados de 4 em 4 pois cada módulo trabalha com 8 bits sendo necessário 4 módulos para o barramento de 32 bits dos 386 e 486. Uma configuração muito comum a esta época era processador 386 @ 40MHz, 2MB de RAM, vídeo 256 KB ISA e HD de 40MB.
Da segunda metade da década de 90 em diante os computadores evoluíram bastante se tornando ainda mais integrados, as placas começaram a trazer a placa super IDE integrada e suas configurações fazendo parte da BIOS, diversas configurações passaram a ser automáticas como a identificação do disco rígido, as IRQs e DMA.
A partir do Windows 95 o plug and play se tornou uma realidade, as placas eram ligadas e identificadas pelo sistema operativo bastando instalar os drivers, sem aquela dor de cabeça com IRQ, DMA e I/O. Os processadores Pentium eram os top de linha deixando os 486 com alternativas de baixo custo. As memórias evoluíram para os módulos SIMM de 72 vias e tecnologias FPM e EDO variando o tempo de acesso entre elas sendo mais alto nas FPM. Para a instalação em máquinas Pentium deveriam ser aos pares visto o barramento dos Pentium possuir 64 bits, nos 486 poderia ser somente um módulo.
As placas de vídeo passaram ocupar o slot PCI os modelos da Trident de 1MB (9440) eram os mais comuns, se padronizaram os “kits multimídia” vindo instalados na maioria das máquinas do final da década. Uma configuração muito comum desta época eram máquinas de médio custo com processador Pentium 16 MB de RAM placa de som Sound Blaster 16, unidade de CD de 8x e placa de vídeo 1MB. Uma máquina de baixo custo costumava vir com processador 486 DX2 66 MHz 8MB de RAM placa de vídeo 512KB. Apesar da diferença nas configurações ambas as máquinas poderiam ter a mesma utilidade para manter a compatibilidade com o DOS e Windows 3.1, ainda muito comuns, a maioria dos aplicativos rodava até mesmo em máquinas 386, no final das contas a não ser que o uso fosse para o entretenimento a maior parte dos utilizadores conseguia executar os programas mais comuns de forma satisfatória.
Em 1997 a Intel lança o Pentium II (baseado no Pentium Pro) e sua versão de baixo custo Celeron que fizeram a indústria acelerar ainda mais o desenvolvimento de novos componentes cada vez mais integrados. A partir daí as placas mãe começaram a integrar todos os tipos de componente, como vídeo, rede, modem e som, sendo chamadas de “placas onboard” apesar de desde os tempos dos 386 da Compaq e IBM já incorporarem componentes onboard a implementação era diferente, estas novas placas utilizavam um conceito chamado de HSP (Host Signal Processor) podendo assim criar produtos menos complexos, mais baratos em troca da perda de um pouco do desempenho do processador, que nestas alturas já tinha um desempenho bem razoável permitindo tais recursos.




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